quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Religião dos Celtas

"Uma das características da filosofia céltica é a indiferença pela morte. Sob este ponto de vista, a Gália era um objeto de admiração para os povos pagãos, os quais não possuíam, no mesmo grau, a noção de imortalidade. Nossos antepassados, não receando a morte, certos de viverem no além-túmulo, estavam libertos de todo o temor.
Em nenhuma crença encontrava-se um sentimento tão intenso do invisível e da solidariedade que une o mundo dos vivos e dos espíritos. Todos aqueles que deixavam a Terra o faziam carregados de mensagens destinadas aos mortos (...) Nos funerais eles depositavam as cartas escritas aos mortos, pelos seus parentes, para que elas lhe fossem transmitidas. A comunicação dos dois mundos era coisa comum. (...) Tinham amplo conhecimento da pluralidade dos mundos. Sua fé na imortalidade lhe apresentava as almas, libertas dos liames terrestres, percorrendo os espaços, reunindo os amigos, os parentes que partiram antes delas, visitando com eles os arquipélagos estelares, as esferas inumeráveis, onde desabrocham a vida, a luz e a felicidade. (...) Os gauleses não conheciam, então, os infernos sinistros nem os paraísos de imobilidade. As vidas de além-túmulo eram, para eles, repletas de atividade, fecundadas por uma faina constante, vidas onde a personalidade e a liberdade do ser se desenvolviam e se aperfeiçoavam incessantemente."

Trecho do livro O Gênio Céltico e o Mundo Invisível - Leon Denis.

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